domingo, 5 de outubro de 2008

I've already seen this movie...

Eu não postei a explicação daquilo tudo no decorrer da semana pelo simples fato que eu 'aprontei' na escola em relação a isso, no dia seguinte. Meu pai disse seria melhor eu não dizer nada até às 17h de hoje, por causa da democracia ridícula desse nosso país, cuja lei reza que qualquer coisa que digamos em veículos de informações no dia da eleição pode influenciar os eleitores e é considerado crime eleitoral. Ou seja, febem for Maria. Na verdade, eu usaria o fato de nenhum dos meus leitores assíduos (o Carlos) não terem título de eleitor nem votar aqui em Ita. Mas, fala sério, seria um baita motivo de orgulho para toda a cidade ter uma garota de 14 anos presa por crime eleitoral, não? Agora sim me sinto livre pra dizer o que quiser. E demonstrar a minha revolta.
A questão é que os meus pais, donos do jornal que, até quarta feira, era pouco conhecido na cidade, publicaram uma pesquisa que indicava que a candidata Marina estaria na frente do candidato Fattori com quase 20% de vantagem. O nada bobo do Fattori entrou com um processo sobre o jornal, acusando de dono do jornal - no caso, o meu pai - apoiar a Marina. O desenrolar da história eu até hoje não consigo entender, mas publicamos a pesquisa. Eu tenho um professor que era candidato para o Fattori e não via a hora de o jornal ser publicado pra que eu pudesse pôr em cima da mesa dele e ver a cara de tacho dele. Foi o que eu fiz. E me ferrei bonito. Ele disse coisas absurdas sobre o jornal e sobre a pesquisa estar errada. Mas ele não contava com uma coisa que se chama margem de erro. E nem com a lei que proíbe propaganda nas escolas. Na verdade ele contava sim com essa lei, mas não contava com a minha astúcia (haha). Naquele dia, na mesma aula e na mesma hora, eu mandei um torpedo para o celular do meu pai dizendo tudo o que o professor/candidato havia dito. Porque, além de ser errado, me constrangeu, mas não foi por isso. Quando ele disse "esse é um jornal que a qualquer minuto pode ser preso" todos da minha classe, sem excessão olharam para mim e, em coro disseram "ÊÊÊ NILA". Como se a culpada fosse eu. Mas, quem leu a mensagem, na verdade, foi a minha mãe. E ela não deixa barato. Sabe aquela coisa de "mexeu com meus filhos, mexeu comigo"? É, mais ou menos isso. Ligou na escola e esculachou bonito o meu professor. Mais tarde estávamos eu, meu pai, o professor, o coordenador e o diretor do colégio reunidos. Aquele foi, sem dúvidas o dia mais estranho de toda a minha vida. Mas o melhor foi que o jornal explodiu na cidade e, dois dias depois, o único assunto era "a pesquisa do Em Foco". Portanto, o jornal não é só mais um jornal. É 'O' jornal polêmico das eleições de 2008.
Ao contrário da maioria das pessoas da minha idade em que política é apenas concordar com o pai e a mãe e acompanhá-los à sessão eleitoral, eu sou muito envolvida com isso desde a outra eleição para prefeito, em Jarinu. Onde foi a primeira vez em que o jornal foi da oposição. Daquela vez eu apenas me senti mal porque o meu pai havia perdido o emprego. Quer dizer, ele perdeu o emprego super-bem-remunerado que ele tinha e isso é um problemão. Mas eu tinha dez anos e o meu único envolvimento era esse.
Dessa vez, como o citado acima, eu me envolvi demais. Demais. Tipo, é o que dizem sobre tudo o que é demais não é bom.
E além de ser uma das jovens mais envolvidas em Itatiba, sou também envolvida em Jarinu e, parcialmente em Morungaba.
E agora a minha reputação está no chão porque eu não faço idéia (mentira) do que aconteceu com os 56% de Marina. Estive aflita durante toda a tarde e, mais ou menos 18h45, enquanto eu estava na igreja, meu pai chegou e sentou-se ao lado da minha mãe com uma cara de poucos amigos. Mas uma cara de poucos amigos engraçadinhos. Até então eu não havia percebido a sua presença ao meu lado e olhei para trás. Vi o irmão menor da minha amiga, que também é sobrinha da candidata, tirando os adesivos simpáticos e otimistas que traziam a frase "Agora é Marina" e pude ler os seu lábios que diziam, com toda a inocência e ingenuidade de uma criança de cinco anos: tia Marina perdeu. Olhei para o lado e meu pai trazia um sorriso irônico no rosto, balançou a cabeça negativamente. Olhei para trás e vi a minha amiga, fui correndo atrás dela. E ficamos até o final do culto ouvindo a apuração das urnas. Vibrávamos a cada vez que o locutor da rádio dizia que o numero de votos da nossa candidata era maior do que o do candidato Fattori em determinadas urnas. Mas, ainda assim. Ainda faltavam 6% para alcançarmos. E foi isso... Além disso mais algumas outras coisas aconteceram bem ali ao nosso lado, mas não acho legal comentar.
Jarinu e Morungaba? Ganhamos! Em Jarinu a candidata que apoiávamos desde o começo ganhou e em Morungaba também, mas era um homem.
Eu nunca me senti em casa em Itatiba e, apesar de não suportar Jarinu, seu nome e seu povo, lá sempre foi a MINHA cidade. Então, posso dizer com orgulho que a MINHA cidade tem uma prefeita. Dona Fátima, meus parabéns.
Eu não posso deixar de parabenizar o vencedor da eleição em Itatiba. Porque se ele chegou aí, foi porque ele lutou. Agora está nas mãos de Deus. É Ele quem vai decidir se Ita vai continuar ou não afundando. Essa cidade pertence ao Senhor Jesus. Nós sabemos.
Para completar o meu dia: estava tudo certo que eu iria reencontrar o garoto cujo nome eu não sei, hoje. Mas, minha mãe decidiu de última hora que não. Alguém pode, pelo amor de Deus, dizer alguma coisa que me anime nesse ponto e ressucite as minhas esperanças? Porque elas estão morrendo. Eu estava esperando fielmente pelo momento no dia de hoje em que eu ia vê-lo e, se Deus quisesse, falar com ele. Porque eu acredito (ou acreditava, até minha mãe dizer 'talvez você nem veja mais ele'?) que é com aquele garoto que eu não faço idéia de quem seja que eu vou me casar. Pode parecer idiotice. E talvez seja. Mas, é a minha vida agora.
Faltam 29 dias para eu continuar usando all star normalmente. Meu candidato é Obama até o fim. Porque é exatamente a mesma coisa. De uns tempos pra cá, não venho me sentindo em casa aqui no Brasil, e o MEU país (UNITEDSTATESOFAMERICA) terá SIM um presidente negro. O candidato que eu apóio por todos os motivos pelos quais ele quer ser apoiado. Aquele país sim pertence ao Senhor Jesus. E isso não é difícil de saber. É o fato.
Talvez eu não pudesse ter dito nem a metade do que eu disse aqui, agora, mas eu quis assim. Eu me orgulho de mim mesma por ter opinião, atitude e ideologia.
Obrigada todos vocês.
God bless us. Mais do que nunca.
xoxo, m.

p.s.: Parabéns Aiko e Mariana. Que Deus continue abençoando vocês.
p.p.s.: Carlos, quem ganhou a eleição aí?

2 Comentários:

Blogger Gabriel. disse...

Digamos que eu também não estou lá tão satisfeito com o prefeito escolhido por essa maldita população de Uberlândia. Apesar de ter sido reeleito, o Odelmo – nome do tal – começou as construções importantes – como o teatro municipal – no fim (e novo começo) de seu mandato. A meu ver, o outro candidato – a quem eu era a favor – era jovem e visava uma melhor qualidade para a cidade. Quanto à seu país (UNITEDSTATESOFAMERICA), ele também seria MEU se diminuísse o teor de carbono “jogado” na atmosfera. :(

p.s.: Estaria você vivendo um amor platônico? - claro que não, Gabriel - Você não se meteria em uma dessas, eu creio. (yn)

6 de outubro de 2008 16:22  
Blogger Gabriel. disse...

quando fico lendo seu blog, não sei porque, mas me acalmo.

9 de outubro de 2008 15:28  

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